À Flor da Pele: Exposição “Todo Cuidado é Pouco” Ocupa o FoNTE com Diálogos sobre Risco e Vulnerabilidade
No próximo sábado, 9 de maio, o espaço FoNTE inaugura uma das mostras coletivas mais instigantes da temporada paulistana. Sob o título “Todo Cuidado é Pouco”, a exposição reúne nove nomes exponenciais da arte contemporânea para explorar a ambiguidade do “cuidado” — um gesto que oscila entre o afeto necessário e a manipulação invisível.
Com curadoria de Tálisson Melo, a mostra apresenta mais de 25 obras que desafiam a percepção do público sobre segurança e perigo. Longe de ser apenas um coletivo tradicional, o grupo formado por André Barion, Camila Leite, Clara Andrada, Fábio Menino, Juliana Cunha, Luís Teixeira, Manuela Costa Lima, Naomi Shida e Wiki Pirela é definido pelo curador como um retrato do “espírito da época”.
Entre o Micro e o Macro: A Carne e o Colapso
A exposição convida o visitante a um mergulho em dimensões opostas. De um lado, a dimensão orgânico-celular de Camila Leite, com seus tecidos que evocam criaturas e tumores; de outro, as “pústulas vulcânicas” de Luís Teixeira, que retratam paisagens siderais em pleno colapso.
Essa jornada entre o micro e o macro coloca o corpo humano como o centro da experiência, servindo de meio para compreender a realidade e o lugar que ocupamos no mundo.
A Poética do Perigo e a Fragilidade da Pele
A vulnerabilidade é um tema onipresente na mostra. Através de objetos utilitários e pontiagudos, os artistas materializam o risco:
- Clara Andrada: Traz pinturas que capturam o manuseio tenso de um canivete.
- Fábio Menino: Utiliza pregos enferrujados sobre pequenas abstrações, criando quase-ideogramas estilhaçados.
- Naomi Shida: Explora a afetação sensorial com anzóis, cracas e facas em seus “corpos-bordados”.
A identidade de gênero também ganha camadas nas telas de Juliana Cunha, onde figuras femininas se fragmentam em arquiteturas caóticas, transitando entre papéis sociais e representações que vão da “feiticeira” à “serviçal”.
Uma Zona de Atenção Imediata
Um dos momentos mais imersivos da exposição é a obra de Manuela Costa Lima. Utilizando pedaços de camas descartadas, a artista cria uma zona de ruína no chão da galeria, exigindo que o público caminhe com atenção redobrada. Aqui, o cuidado deixa de ser um conceito abstrato e se torna uma condição física para percorrer o espaço.
A mostra ainda conta com a precisão sinuosa das costuras de André Barion, criando portais entre a pele, a roupa e a linguagem.
📍 Serviço: Exposição “Todo Cuidado é Pouco”
- Local: FoNTE (Rua Mourato Coelho, 751 – Pinheiros/Vila Madalena, São Paulo)
- Abertura: 09 de maio, sábado, das 14h às 19h.
- Visitação: Quinta a Sábado, das 14h às 19h (Até 28 de maio).
- Entrada: Gratuita.
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