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Além do Som: Nômade Festival 2026 Entrega Excelência Técnica e a Pulsação de Vários “Brasils”

Além do Som: Nômade Festival 2026 Entrega Excelência Técnica e a Pulsação de Vários “Brasils”

O último final de semana no Parque Villa-Lobos não foi apenas sobre música; foi sobre execução. Em sua 7ª edição, o Nômade Festival se consolidou como um evento que entende a jornada do público. Com uma circulação fluida e uma estrutura impecável, o grande destaque “invisível” foi a engenharia de som: equilibrada, sem compressões excessivas e com uma definição de médios que permitiu uma escuta real e confortável — um alento em meio à era dos grandes festivais barulhentos.


Sábado: A Entrega Visceral e a Realeza do Samba

O palco principal abriu alas para a crueza de Chico Chico. Com sua “banda banda”, o artista entregou arranjos menos polidos e mais interpretativos. Para quem fechava os olhos, a herança estética de Cássia Eller era palpável, não como mimetismo, mas como uma entrega visceral que deixava o show respirar.

Logo depois, Jorge Aragão deu uma aula de maturidade técnica. Com uma divisão rítmica cirúrgica, o mestre do samba conduziu o público sem pressa, deixando o groove acontecer naturalmente. O coro espontâneo de “o vovô voltou” selou o que parecia ser a entronização definitiva de um ícone.


O Forró Dialoga com a MPB: O Fenômeno João Gomes

João Gomes subiu ao palco com uma proposta de simplicidade sofisticada. Com poucos movimentos e foco total na dinâmica vocal, ele mostrou como o forró pode — e deve — dialogar com a MPB. Sua releitura de “A Noite” evidenciou uma inteligência musical rara, adaptando linguagens sem perder a identidade das ruas.

O ponto alto de emoção, no entanto, veio com Ruan Vitor Vaqueirinho. O garoto, que ostentava uma camiseta de Luiz Gonzaga, provou que sua presença não é apenas carisma: há projeção vocal, afinação e uma raiz profunda ali. É um nome para monitorar de perto; o “estouro” é inevitável.

Na sequência, Gaby Amarantos elevou a temperatura com o tecnobrega. O uso de graves pulsantes e camadas eletrônicas transformou o palco em uma imersão sonora do Norte, fechando um bloco que apresentou diferentes facetas do Brasil em poucas horas. O sábado ainda contou com o frescor de Zaynara e o encerramento apoteótico de Luísa Sonza.


Domingo: Sofisticação e o Cancioneiro de Ouro

O segundo dia manteve o rigor técnico. Zé Ramalho trouxe sua assinatura inconfundível, enquanto Péricles entregou um pagode tecnicamente sólido que fez o Villa-Lobos cantar em uníssono. O equilíbrio entre o rap e o samba de Marcelo D2 e a proposta musicalmente elaborada de Jota.pê (com as participações luxuosas de Mestrinho e Bruna Black) deram o tom de sofisticação do domingo, que ainda brilhou com as performances de Urias e Carol Biazin.


Palco Bosque: O Festival Paralelo

Enquanto o palco principal fervia, o Palco Bosque funcionou como um oásis intimista. No sábado, nomes como Candy Mel e Mari Jasca entregaram shows mais próximos, com menos pressão sonora e mais conexão direta. No domingo, Potyguara Bardo e Rom Santana mantiveram essa dinâmica, transformando o Bosque em uma atração à parte: brasileiro, direto e essencialmente acolhedor.


Experiência Premium: O Stand Petra

No campo das ativações, a Petra roubou a cena. Com um stand estratégico e open bar durante os dois dias, o espaço se tornou o ponto de encontro de artistas, influenciadores e convidados. A marca soube criar um ambiente de hospitalidade que conversava diretamente com a proposta de conforto do festival.

Em resumo, o Nômade Festival 2026 foi sinônimo de música boa, conforto e alegria. Uma aula de como fazer um festival plural que respeita tanto o artista quanto o ouvido do público. Que venha 2027!

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